sábado, 2 de outubro de 2010

Campanha - "Iniquidade" NÃO Quer Dizer Homofobia


Eu já deveria ter postado há alguns dias, mas acabei não tendo tempo para escrever com calma... então adiei para o final de semana.

Entrei no blog da Fala Rapha na quinta-feira e tinha uma postagem sobre o vídeo desse senhor da foto, seu nome é Paschoal Piragine Jr, ele é pastor presidente da Primeira Igreja Batista de Curitiba. No vídeo ele diz que nunca em toda a sua vida havia feito campanha política durante os seus dircursos mas que esse ano ele resolveu abrir o verbo...

Primeiro ele começa dizendo que muitas pessoas repetem certas palavras sem saber o seu significado, e que isso acontece com a palavra "Iniquidade" que para quem não sabe ele explica que Iniquidade quer dizer: "Iniquidade é quando a gente tá tão acostumado ao pecado, que o pecado a gente não tem mais vergonha de cometê-lo, e ele passa a ser algo tremendamente natural em nossa vida".

Iniquidade: Grego: ανομια [anomia] (Substantivo feminino). De ανομος [anomos] (α [a] -como uma partícula negativa- "sem", e νομος [nomos] "lei" = "sem lei"). Negação da lei. Ilegalidade, falta de conformidade com a lei, violação da lei, desacato à lei, iniqüidade, impiedade. Substantivo feminino que significa injustiça, parcialidade. (HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Minidicioário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 251).

É uma pena que nem ele saiba o que significa iniquidade... E pior, que se utilize da própria interpretação para realizar uma lavagrm cerebral nos seus fiéis.

Que a homossexualidade não é aceita pelas religiões cristãs todo mundo já sabe... e não vou entrar necessariamente nessa questão aqui. Mas existe no Brasil desde o século XIX (1891, já na República) uma proteção a liberdade religiosa.

"O Marechal Deodoro da Fonseca, chefe provisório da República dos Estados Unidos do Brasil, constituído pelo Exército e pela Armada em nome da Nação, decreta:
Art. 1º - É proibido à autoridade federal, assim como à dos estados federados, expedir leis, regulamentos ou atos administrativos estabelecendo alguma religião ou vedando-a, e criar diferenças entre os habitantes do Brasil, por motivo de crenças, opiniões filosóficas ou religiosas." (Referência: Portal do Sol)

Logo a pessoa pode ser agnóstico, católico, evangélico, espírita, ateu... e todos devem ter seus direitos respeitados. E o estado, aquele que "controla" as leis civís e os direitos e deveres civís é LAICO! Qual a dificuldade em entender isso? Dessa forma as crenças, "leis", mandamentos... religiosos, não devem interferir nas decisões políticas do estado.

Aí me vem um cara desses dizer para os seus fíeis não votarem em políticos que acreditam em um estado laico, que eles devem votar em políticos que vão lutar pela causa religiosa. PORRA O ESTADO É LAICO!

"Estado Laico é aquele que não se confunde com determinada religião, não adota uma religião oficial, permite a mais ampla liberdade de crença, descrença e religião, com igualdade de direitos entre as diversas crenças e descrenças e no qual fundamentações religiosas não podem influir nos rumos políticos e jurídicos da nação. É o que se defende ser o Brasil sob a égide da Constituição Federal de 1988, em razão de seu art. 19, inc. I, vedar relações de dependência ou aliança com quaisquer religiões." (Referência: Jus Navigandi)

Ele deveria entender que se não fosse essa lei que permite a liberdade religiosa, ele provavelmente seria forçado a ser católico apostólico romano... visto que as nações que transformaram esse país em colonia seguiam esta religião. E se não existesse a liberdade religiosa? E se fossemos obrigados a ser católicos, como aconteceu do século XVI ao século XIX? Será que este pastor gostaria de ter o seu direito vetado?

"O artigo 5º da Constituição Imperial do Brasil dizia que Religião Católica Apostólica Romana era a religião do Império, e que todas as outras religiões eram permitidas com seus cultos domésticos ou particulares em casas para isso destinadas, sem manifestação exterior em templos.
O Artigo 95 da referida Constituição Imperial dizia que “todos os que podem ser eleitores, são hábeis para serem nomeados. Excetuam-se (...) os que não professarem a religião do Estado
”."(referência: Portal do Sol)

Antigamente esses candidatos que ele quer influenciar as pessoas a votarem, nem poderiam se candidatar...


Não vivemos no século XVI, religião e estado não devem se confundir. No final da postagem vocês podem assistir ao vídeo e tirarem as suas próprias conclusões. Particularmente acho inaceitável ele se utilizar da posição de Pastor Presidente para manipular o voto alheio.

E também considero totalmente ridículo ele passar um vídeo (que apela claramente pro fator emocional) para corroborar o que ele diz... expondo e criticando culturas que ele não entende (como no caso da cultura indígena).

Outro ponto que ele passa no vídeo é sobre o aborto... SIM, eu sou afavor do aborto!(mas isso fica para outra postagem).



L.L

3 comentários:

Revista Dama' disse...

Parabéns pela crítica! Muito bem explicada, muito bem fundamentada e, convenhamos, muito melhor do que a dele, porque real e não ilusória e maldosa. Eu vi o vídeo, achei de uma postura baixíssima, mas isso se compara a todos os outros, sejam evangélicos ou não, que acreditam ser a homossexualidade pecado ou doença. Estamos falando sobre isso na primeira edição da Revista Dama, assim que estiver no ar te avisaremos pra dar uma olhadinha ;)

Um super beijo!

Milena Ribeiro
Editora Chefe Revista Dama

L.L disse...

Poxa, obrigada! Que bom que gostou, acho que esse tipo de assunto sempre precisa estar em discussão, só assim para ir mudando as coisas!

Quando sair a revista me avisa mesmo, estou ansiosa pela 1 edição!!

Pensando disse...

Concordo contigo "crenças, "leis", mandamentos... religiosos, não devem interferir nas decisões políticas do estado."..e ontem mesmo estava dizendo isso a minha mãe.
Adorei como vc argumentou..como diz a Milena Ribeiro, muito bem fundamentada. È uma pena as pessoas leigas serem influenciadas por pessoas tão "Raposas".